Igor Menezes Cordovil é Gestor de Marketing & Inteligência de Mercado do Grupo FAMETRO, Especialista em Política e Estratégia pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG), e MBA em Marketing, Consumo e Neurociência pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS). Contato: imenezes357@gmail.com
Na minha opinião, ninguém evolui sem paciência e disciplina. A falta de uma desequilibra a outra, a falta das duas é tiro no pé e, manter as duas, garante resultado ao longo do tempo. É parecido àquela comparação que fazem entre rapidez, mediocridade e preço versus tempo, qualidade e valor. Como hoje tudo é para ontem, acabaram se tornando coisa rara. Uma minoria respeita o processo de construção e evolução com o tempo. A maioria prefere um atalho logo ali e aprende depois que rapidez, mediocridade e preço custam caro demais, até para quem acha que ter dinheiro resolve tudo.
A paciência, para quem tem, é a soma de nossos milhares de ontens. Disciplina é preparação do que ainda não veio e que, quando vier, será muito bom e acima das expectativas se houver paciência. Resultados construídos sobre este processo duram, viram aprendizado prático, aqueles pequenos resultados do dia a dia que disciplinam a paciência e conduzem à perfeição, a um passo por vez. Não há como fugir disso, desculpe. Me parece muito simples de entender que atalhos deveriam ser apenas exceções, mas, por algum motivo óbvio, tornaram-se regra de acordo com a urgência dos outros, não as nossas.
Não é ruim ter referências para traçar um objetivo. Lá atrás a gente dizia: quero ser melhor que o fulano, maior que o beltrano, ou mais “qualquer coisa” que sicrano. Queríamos fazer melhor, não igual. A necessidade atual está resumida à comparação com desconhecidos de fama rápida e duvidosa, e é tanta que há quem se compare por baixo e pelo pouco que o outro é, esquecendo a importância de se superar, deixando a inveja da comparação de lado para se concentrar no próprio plano e no futuro que, daqui a pouco, chega. É ter paciência para esperar e disciplina para se permitir amadurecer, respeitando os próprios limites, reconhecendo valores, evitando se perder para caber no mundo de gente onde a maioria é desimportante.
Quem se compara subestima os próprios talentos, superestima a opinião alheia e acha que o pensamento do outro é autêntico porque é diferente, moldando a cabeça de seres humanos sem rumo, autodiagnosticados com qualquer síndrome da moda, que povoam a sociedade atual – principalmente a virtual – e que daqui a pouco somem com a mesma rapidez que surgiram, pois, a trend passa mas realidade fica. Clarice Lispector tem uma frase que resume bem a importância de olhar para dentro com tempo: “tenho que ter paciência para não me perder dentro de mim, pois vivo me perdendo de vista; preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco sem saída”.
No final entendemos que o tão falado luxo está na liberdade de escolher o que fazer, no tempo em que se quiser fazer, na companhia de quem transforma momentos em lembranças, pacientemente decidindo mesmo com incertezas e vivendo disciplinadamente um dia de cada vez, lembrando que se for para se comparar a alguém, que seja com quem éramos ontem.
