A Covid-19 obrigou a população brasileira a mudar drasticamente sua rotina em casa, no trabalho e até nas interações sociais. O medo e a insegurança que a pandemia trouxe para a população vem causando um impacto negativo à saúde mental dos brasileiros, fato que se expressa com o aumento assustador de pessoas com transtornos de ansiedade e depressão.
Em decorrência desse aumento dos casos de transtornos psiquiátricos, a venda e o consumo de ansiolíticos e antidepressivos aumentou assustadoramente. Pesquisas apontam que em 2020, após o início da pandemia, houve um aumento em torno de 15% nas vendas desses medicamentos.
Vale lembrar que esses medicamentos são controlados, ou seja, os ansiolíticos e antidepressivos devem ser vendidos somente com a prescrição médica, considerando o perigo que esses medicamentos oferecem em face dos seus efeitos colaterais e interações medicamentosas.
Esses medicamentos possuem diversos efeitos colaterais (efeitos causados pelo medicamento, diferentes daqueles esperados), entre os quais pode-se mencionar a perda de coordenação motora, a sonolência, a falta de concentração e tonturas.
Esses efeitos podem variar de pessoa para pessoa, fazendo com que alguns tenham muitos sintomas indesejados com o uso de uma medicação e outros não tenham qualquer sintoma com essa mesma medicação.
Para estabelecer qual ansiolítico e/ou antidepressivo será usado pelo paciente, o médico realiza uma avaliação pormenorizada, a fim de prescrever o medicamento que melhor atende às necessidades e características dos pacientes, além de passarem uma série de orientações quanto aos cuidados a serem tomados. Considerando as implicações do uso desses medicamentos, fica fácil de entender que não podem ser usados de forma indiscriminada.
Entretanto, a automedicação é um hábito do brasileiro e isso inclui o uso dos medicamentos psiquiátricos. Apesar de ser proibida a venda de ansiolíticos e antidepressivos sem receita, muitos brasileiros adquirem esses medicamentos por meios diversos, fazendo uso de forma descontrolada e abusiva.
O consumo de medicamentos psiquiátricos sem acompanhamento médico é um grande erro, além de perigoso, pois o uso indiscriminado dos ansiolíticos e/ou antidepressivos, comumente, leva o usuário à dependência, deixando-o vulnerável às crises de abstinência (quando não tem o remédio) e ao surgimento da tolerância, o que leva o indivíduo a usar uma dosagem mais alta do medicamento ou trocá-lo por outra substância psicotrópica, muitas vezes mais forte e, em consequência, com mais efeitos adversos e contraindicações.
Outro perigo da automedicação com ansiolíticos e os antidepressivos é a existência de interações medicamentosas (a ingestão de dois ou mais medicamentos, não obrigatoriamente ao mesmo tempo) que podem ocasionar alterações do pensamento, rebaixamento da consciência, vômitos, convulsão e, em casos extremos, levar à morte.
Um outro tipo de interação muito perigosa, mas frequentemente encontrada, é o uso de ansiolíticos com bebidas alcoólicas. Essa associação de substâncias depressoras leva a uma potencialização do efeito sedativo do medicamento, podendo causar insuficiência respiratória e levar ao coma (CRF/SP, 2012).
Como mensagem final, concito aos nossos leitores que divulguem esse assunto tão importante aos familiares e amigos, lembrando da seguinte mensagem “os ansiolíticos e os antidepressivos só devem ser usados com prescrição médica e na existência de quadros clínicos diagnosticados por profissional especialista e habilitado”.
Que a Pandemia não traga mais um problema de saúde pública para o nosso país. Que a Pandemia não traga mais um problema de saúde pública para o nosso país.
