A acadêmica de Enfermagem Mirtes Emanuelle Silva Cruz conquistou o primeiro lugar na apresentação científica do 8º Congresso Pan-Amazônico de Oncologia, dividindo a posição com o estudante de Medicina da UFAM, Felipe Mestrinho. O reconhecimento veio a partir de um estudo que integra o projeto nacional Previna-se, iniciativa em parceria com o Ministério da Saúde que busca implementar o teste de HPV por autocoleta no SUS como ferramenta de prevenção ao câncer do colo do útero. E
Mirtes explica que Manaus e a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCECON) foram escolhidas como base para testar a aceitabilidade do novo método entre mulheres da região. Em parceria com FCECON com o PAIC da ESAP/SEMSA e dividiu o projeto nacional em três braços de iniciação científica.
Segundo a acadêmica, a contribuição do estudo é o alcança e a atenção primária à saúde:
“Estamos estagnando o câncer onde ele deve ser interrompido. O câncer cervical é a quarta neoplasia mais incidente no mundo e, no Brasil, atinge principalmente mulheres das regiões Norte e Nordeste, marcadas por maior vulnerabilidade. É uma doença prevenível, mas ainda uma das principais causas de morte feminina, atrás apenas do câncer de mama.”
A proposta oferece benefícios diretos tanto para as pacientes quanto para os profissionais. Por ser um exame de autocoleta, amplia o acesso de mulheres que têm receio do procedimento convencional, já sofreram algum tipo de violência ou vivem em áreas ribeirinhas e de difícil deslocamento. O trabalho de Mirtes foi orientado pela Dra. Valquíria do Carmo Alves Martins e pela Dra. Márcia Poinho Encarnação de Morais, que também acompanhou o desenvolvimento do estudo e reforçou a importância do método para alcançar populações vulneráveis.
Além disso, o teste dispensa a análise citopatológica tradicional, permitindo resultados mais rápidos, maior agilidade no diagnóstico e uma vigilância mais eficiente dos casos.
Inspiração que move a ciência: a mensagem de Mirtes aos futuros pesquisadores
Premiada em um dos maiores eventos científicos da região, Mirtes deixa um recado direto e necessário aos estudantes de Enfermagem que desejam seguir na pesquisa:
“Estudem. Se esforcem. Busquem conhecimento na fonte. As IAs estão deixando a nossa população mais acomodada, então mergulhem na literatura, perguntem, investiguem. Sejam organizados, dedicados, cuidem do projeto como se fosse um filho. E lembrem-se: pesquisa não é para o nosso currículo, é para melhorar a vida do outro, o serviço, a comunidade.”
Ela reforça ainda a importância de participar de eventos científicos:
“Invistam em congressos, simpósios, palestras. Escrevam resumos, levem seus trabalhos, desenvolvam a escrita e a leitura científica. Conversem com professores que pesquisam, troquem ideias, proponham inovações. A pesquisa é isso: todo mundo se ajudando para fazer algo maior.”

