Conversamos com Danilo Victor, psicólogo clínico especializado em Terapia Cognitivo-Comportamental e Psicologia Organizacional, e professor de Psicologia Clínica no Centro Universitário Fametro. Ele compartilhou suas percepções sobre o mês de conscientização contra o câncer colorretal, o Março Azul.
Como um psicólogo pode ajudar uma pessoa com câncer colorretal?
“O diagnóstico de câncer, independentemente do tipo, impacta a vida do paciente de diversas formas, desde o emocional até o funcional. O psicólogo entra como suporte, ajudando o paciente a lidar com o impacto da doença. Isso envolve processar informações de maneira mais tranquila, reduzir a ansiedade e o medo, e oferecer suporte no enfrentamento do tratamento. O profissional também auxilia com sentimentos de impotência e insegurança, que podem evoluir para quadros de depressão. O psicólogo fortalece a autoestima, ajuda na ressignificação da experiência e, principalmente, auxilia na adaptação às mudanças físicas e emocionais que surgem ao longo do tratamento. Vale ressaltar que um paciente bem cuidado emocionalmente tem mais chances de obter bons resultados no tratamento”, explicou Danilo Victor.
Quais são os principais métodos terapêuticos utilizados por um psicólogo para melhorar o quadro clínico do paciente? Existe apoio psicológico nesse processo?
“Sim, existe, e esse apoio é essencial. Os métodos terapêuticos variam conforme as necessidades de cada paciente, além da abordagem e especialidade do psicólogo. Muitas vezes, os pacientes têm pensamentos negativos que podem aumentar seu sofrimento. O trabalho do psicólogo é justamente abordar esses pensamentos e ajudar a modificá-los”, afirmou o professor.
Você poderia dar algumas dicas para as pessoas que estão passando por essa situação?
“Primeiro, é importante lembrar que cada pessoa tem sua própria visão de mundo e experiência de vida. Não existe uma forma certa ou errada de se sentir. O papel do psicólogo é ajudar o paciente a se permitir sentir o que está passando. É normal sentir medo, tristeza e incerteza, o importante é não reprimir essas emoções e encontrar formas saudáveis de expressá-las. Além disso, é fundamental buscar apoio. Ninguém precisa passar por isso sozinho”, destacou Danilo.
Ele também enfatizou a importância de ter o apoio da família, amigos e grupos sociais, como clubes ou associações de moradores, além de cuidar da saúde mental com práticas como respiração, meditação e pequenos momentos de autocuidado. Atividades prazerosas, como ouvir música, ler um livro ou passar tempo com a família, também são essenciais para o bem-estar.
Suporte emocional durante o tratamento
“Hoje, tanto a medicina quanto a psicologia avançaram significativamente no suporte a pacientes com câncer. O mais importante é permitir-se ter esperança e acreditar que é possível enfrentar esse momento com coragem, sabendo que não se está sozinho. Acima de tudo, é importante lembrar que você não é a doença. Isso é apenas uma fase, e você é muito mais do que isso. O seu valor, a sua história, as suas relações vão continuar a existir, independentemente do diagnóstico. Esse cuidado emocional é o que o psicólogo pode oferecer ao paciente”, concluiu Danilo Victor.
