Um estudo conduzido pelo Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (ICT-Unesp), em parceria com cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha, revelou que o uso de cigarros eletrônicos altera a composição da saliva, aumentando o risco de problemas bucais como cáries, lesões na mucosa e doença periodontal.
Para entender melhor os impactos dessa descoberta, conversamos com o professor Matheus Völz, Mestre e Doutor em Periodontia pela Universidade Paulista e docente do curso de Odontologia do Centro Universitário Fametro. Ele alerta que o cigarro eletrônico não apenas afeta a saúde bucal, mas também compromete a estrutura dos dentes, elevando a necessidade de tratamentos restauradores.

Ameaças invisíveis à saúde bucal
Segundo o estudo de Iacob et al. (2023), a redução da capacidade antioxidante da saliva, aliada ao aumento do biofilme cariogênico, torna os usuários de vapes mais propensos a desenvolver cáries. Com o tempo, essas lesões podem evoluir para cavidades extensas, exigindo restaurações frequentes ou até mesmo tratamentos de canal.
Outro problema identificado é a erosão ácida. A exposição constante aos compostos liberados pelos aerossóis dos cigarros eletrônicos pode desgastar o esmalte e a dentina, deixando os dentes mais frágeis e sensíveis. Esse desgaste, por sua vez, aumenta a necessidade de procedimentos como facetas, coroas e restaurações adesivas.
Diante dos riscos, especialistas recomendam que usuários de vapes intensifiquem os cuidados com a higiene bucal e façam visitas regulares ao dentista para prevenir danos irreversíveis à saúde dos dentes e da gengiva.
