A série Adolescência, da Netflix, tem sido um sucesso entre os fãs de produções baseadas em fatos reais e suspense. No entanto, seu impacto vai além do entretenimento, despertando também o interesse de profissionais e estudantes de Psicologia. Para entender melhor as questões abordadas na trama, conversamos com a professora Ana Thayná Simplício, especialista em Psicanálise Clínica e docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Fametro – Unidade Cachoeirinha. Entre os temas analisados, discutimos os desafios emocionais da juventude e o conceito INCEL (Involuntary Celibates), termo que, em português, significa “celibatários involuntários”.
Rebeldia ou transtorno? Como diferenciar
Uma dúvida comum entre pais e responsáveis é distinguir um comportamento típico da adolescência de sinais que indicam transtornos psicológicos. Sobre isso, Ana Thayná destaca:
“A adolescência é uma fase do desenvolvimento humano repleta de mudanças, mas não deve ser vista como algo assustador. Assim como em outras etapas da vida, há transformações orgânicas e psíquicas naturais. O problema surge quando há um descontrole excessivo das emoções, que pode indicar a necessidade de acompanhamento psicológico.”
A professora também explica o conceito de INCEL, um termo frequentemente associado a jovens do sexo masculino que enfrentam dificuldades para estabelecer relações afetivas e sociais.
“O termo INCEL é uma abreviação de Involuntary Celibates, que se refere a homens jovens que, em sua maioria, têm dificuldade ou até são incapazes de construir relações românticas e sexuais. Além disso, muitos apresentam um isolamento social acentuado, com poucas amizades e baixa participação familiar.”
Agressividade e descontrole emocional: o que está por trás?
Comportamentos agressivos na adolescência podem ter diferentes origens. Segundo Ana Thayná, alguns padrões sociais contribuem para essa construção.
“Muitas vezes, desde a infância, certos comportamentos são normalizados. O menino que puxa o cabelo da irmã ou que grita e xinga sem ser repreendido cresce acreditando que isso é aceitável. A violência pode se manifestar de forma sutil na infância e se agravar na adolescência, especialmente em relação às mulheres, pois há uma crença de superioridade masculina sobre elas.”
Os sinais de descontrole emocional variam, mas alguns padrões devem ser observados com atenção:
- Explosões de raiva frequentes e desproporcionais;
- Agressividade verbal e física;
- Irritação constante por motivos banais;
- Dificuldade em lidar com frustrações.
“Se pequenas coisas desencadeiam reações intensas, como gritos e agressividade, isso pode indicar que algo precisa ser avaliado. Não significa necessariamente um transtorno, mas pode estar relacionado a frustrações acumuladas e outras questões emocionais.”
Como lidar com adolescentes agressivos?
Para a professora, o primeiro passo é observar a rotina e o comportamento do jovem. Além disso, a comunicação e o envolvimento familiar são essenciais.
“Os responsáveis devem estar atentos aos sinais e buscar ajuda profissional quando necessário. O mais importante é não minimizar as dificuldades que os jovens enfrentam. Conversem com eles, estejam presentes e demonstrem interesse pela vida deles. O apoio emocional faz toda a diferença.”
