A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta quinta-feira (27), a interdição cautelar do creme dental Clean Mint, da Colgate, após relatos de reações adversas associadas a uma mudança na fórmula do produto. Para entender melhor a situação e os possíveis impactos para os consumidores, conversamos com o professor do Centro Universitário Fametro e dentista Victor Bernardes, mestre e doutor em patologia bucal pela UNESP.
A Colgate pode recorrer da decisão da Anvisa?
Victor Bernardes: Sim. A empresa pode apresentar evidências científicas e recorrer a medidas legais para tentar reverter a interdição. Antes de chegar ao mercado, produtos como cremes dentais passam por uma série de testes rigorosos, desde experimentos em culturas de células até testes em pacientes, para garantir segurança e eficácia. Se necessário, a Colgate pode optar por retornar à formulação anterior do produto.
O que os consumidores que usaram a pasta interditada devem fazer caso apresentem sintomas adversos?
Victor Bernardes: A substância utilizada na nova fórmula é considerada segura, mas algumas pessoas podem desenvolver hipersensibilidade. Se um consumidor apresentar reações como inchaço, ardência ou vermelhidão na mucosa oral, o ideal é suspender imediatamente o uso do creme dental e não reutilizá-lo. Caso os sintomas persistam, é importante buscar orientação de um profissional de saúde.
Quais cuidados os consumidores devem adotar para evitar problemas com produtos de higiene bucal?
Victor Bernardes: O mais importante é estar atento a sinais de hipersensibilidade, como irritação, inchaço, ardência e pequenas lesões na boca. No caso da Clean Mint, há indícios de que as reações possam estar ligadas ao fluoreto de estanho. Além disso, vale lembrar que muitas pastas de dente contêm lauril sulfato de sódio, um componente conhecido por causar aftas em algumas pessoas. Se alguém perceber sintomas incomuns, o ideal é interromper o uso do produto e procurar um especialista.
