Por Canuto Júnior, psicólogo e docente da disciplina Enfermagem Neuropsiquiátrica e Saúde Mental, do curso Técnico de Enfermagem- FAMETROTEC.
“Quando falamos de Janeiro Branco, estamos falando de um período muito simbólico, especialmente para jovens e estudantes. Janeiro representa a transição. É o momento em que as festas terminam e começam os planejamentos, as cobranças, as metas acadêmicas e profissionais. Isso gera uma carga emocional intensa para quem ainda está em processo de formação.”
Segundo o professor, esse contexto torna o Janeiro Branco um momento estratégico para estimular o cuidado com a saúde mental e ampliar a consciência sobre limites, emoções e autocuidado.
Pressão do recomeço: aprender a filtrar expectativas
“Os jovens vivem uma pressão muito grande para ‘dar certo’ rápido. O início do ano costuma trazer ansiedade, medo de reprovação, insegurança sobre o futuro profissional e comparações constantes. O Janeiro Branco ajuda o estudante a entender que sucesso não pode ser construído às custas da saúde mental. Crescer exige tempo, processo e equilíbrio.”
Prevenção do burnout acadêmico
“O estudante de hoje enfrenta um volume de estímulos que não existia em outras gerações. Redes sociais, excesso de informação e comparações constantes aumentam o risco de esgotamento emocional. O Janeiro Branco funciona como um alerta: reconhecer os sinais de cansaço mental antes que eles se tornem um problema maior é uma forma de cuidado e maturidade.”
Dicas práticas para cuidar da saúde mental
“A saúde mental precisa ser cuidada no dia a dia, com atitudes simples, mas consistentes. Sempre reforço isso com meus alunos.”
1. Crie uma rotina de descompressão
“O estresse acumulado é um dos principais inimigos da mente. Pequenas pausas ajudam o cérebro a organizar pensamentos e reduzir a ansiedade.”
- Pratique mindfulness: reserve de 5 a 10 minutos por dia para focar na respiração ou no momento presente.
- Cuide do sono: tente manter horários regulares para dormir e acordar. O sono influencia diretamente o humor e a memória.
- Desconecte-se: estabeleça limites para o uso do celular, principalmente à noite. Excesso de informação e comparações aumentam o estresse.
2. Fortaleça suas conexões reais
“O ser humano é social. O isolamento prolongado afeta diretamente a saúde mental.”
- Cultive relações saudáveis: estar com pessoas que escutam e acolhem faz diferença.
- Aprenda a dizer ‘não’: respeitar seus limites evita o esgotamento.
- Peça ajuda: falar sobre o que sente é um sinal de maturidade, não de fraqueza.
3. Mantenha o corpo em movimento
“Mente e corpo funcionam juntos. Quando cuidamos do corpo, ajudamos a mente.”
- Atividade física regular: uma caminhada de 20 minutos já gera impactos positivos no bem-estar.
- Alimentação consciente: o que você consome interfere diretamente no seu estado emocional. Evite excessos de açúcar e ultraprocessados.
Dica importante:
“Essas orientações ajudam a manter o bem-estar, mas não substituem o acompanhamento profissional. Se a tristeza, a ansiedade ou o estresse estão interferindo na sua rotina, procurar um psicólogo ou psiquiatra é um ato de coragem e autocuidado.”
