O Brasil vive um momento histórico no campo da medicina. De acordo com a Demografia Médica 2024, divulgada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), o país alcançou a marca de 575.930 médicos ativos, a maior já registrada. Com uma proporção de 2,81 médicos por mil habitantes, o Brasil supera países como Estados Unidos, Japão e China.
Para entender mais sobre o cenário atual e as transformações no ensino da medicina, conversamos com o Dr. Rodrigo Leitão, CRM/AM 3851, especialista em Onco-hematologia. Médico e professor no Centro Universitário Fametro desde o início do curso de Medicina.
Formado em Medicina pela Universidade Federal de Roraima. O Dr. Rodrigo Leitão concluiu sua primeira especialização em 2003, com foco em Hematologia e Hemoterapia pela Fundação Hemoam. É também pós-graduado em Doenças Tropicais e Infecciosas.
Transformação no ensino: da metodologia tradicional à ativa:
Durante a entrevista, o professor refletiu sobre a adoção da metodologia ativa no ensino médico, uma abordagem que busca envolver o aluno de forma prática e participativa.
“Foi uma experiência nova tanto para os alunos quanto para nós, professores. Nossa formação veio da metodologia tradicional, então, inicialmente, foi desafiador sair da rotina. Contudo, essa mudança nos proporciona criar mais discussões entre os alunos, o que enriquece o aprendizado. A metodologia ativa é muito válida”, destacou.
Inteligência artificial: aliada, mas não substituta:
Outro tema abordado foi o impacto da inteligência artificial (IA) na prática médica. Para Leitão, a IA tem o potencial de transformar diagnósticos, tratamentos e a prevenção de doenças.
“A inteligência artificial vem para contribuir, não só na medicina, mas em diversas áreas. No entanto, é preciso ter cuidado e moderação em sua aplicação. Em especialidades médicas, ela é uma grande parceira para diagnósticos e acompanhamentos, mas existem coisas que a IA jamais substituirá, como o olhar humano. Ela ajuda a otimizar processos, tornando diagnósticos e prognósticos mais rápidos, mas o papel do médico permanece essencial e insubstituível”, afirmou.
Um chamado para os futuros médicos
Questionado sobre o que diria a quem sonha em cursar medicina, o professor foi direto: a profissão exige dedicação e sacrifícios, e não deve ser encarada apenas como uma forma de alcançar estabilidade financeira.
“Eu sempre pergunto aos alunos, no primeiro dia de aula: ‘Por que você escolheu a medicina? É um sonho seu ou dos seus pais? Está aqui pelo dinheiro?’ Isso é importante, porque ser médico exige muito. É uma profissão que demanda abdicar fins de semana e feriados, além de um grande preparo psicológico”, ressaltou.
Leitão também frisou que a paixão pela profissão deve ser maior que o desejo pelo retorno financeiro.
“O dinheiro é consequência do que você faz, mas, se você entrar no curso apenas pensando nisso, a frustração pode ser inevitável. Medicina exige comprometimento e paixão. É preciso ter a certeza de que você quer se dedicar a isso, porque será uma jornada de muito esforço e aprendizado constante”, concluiu.
O panorama atual da medicina no Brasil, aliado às mudanças no ensino e ao impacto de novas tecnologias, mostra que a profissão continua a se reinventar. Como destacou o Dr. Rodrigo Leitão, ser médico vai além de uma escolha profissional: é um compromisso com a sociedade e consigo mesmo.
