[vc_row][vc_column][vc_column_text]Antes de mais nada, gostaria de propor um desafio para você… Feche os olhos por alguns instantes e pense naquilo que você fez durante toda a sua vida e que mais lhe trouxe vergonha ou arrependimento. Você já foi cancelado?
Então imagine como esse momento teria ocorrido caso você estivesse com as emoções intensificadas por não estar em contato com as pessoas que você confia (para pedir opiniões e conselhos sobre o que deveria fazer) e nem pudesse receber o suporte delas caso as coisas dessem errado. E agora? Já foi cancelado?
Se não, parabéns! Mas isso não quer dizer que outras pessoas não teriam te cancelado. Talvez até você mesmo tivesse se cancelado e não lembre, já que nós esquecemos aquilo que já fizemos e não condiz com a nossa personalidade atual segundo estudos sobre memória.
Além disso, o processo de empatia é falho e não conseguimos nos colocar no lugar do outro completamente, incluindo suas percepções sobre a situação, uma vez que esse fenômeno se dá com base em aspectos subjetivos. A minha tendência é sempre entender melhor a minha situação e a minha forma de me posicionar, do que dos demais na mesma posição.
Agora, de volta ao comportamento inicial do qual você se vergonha ou arrepende, alguns questionamentos:
Você se comportaria de maneira semelhante atualmente face a mesma situação?
Caso ninguém estivesse observando, você agiria da mesma maneira que com audiência? Você acha que conseguiria não se comportar da mesma maneira se estivesse em grupo e todos ao seu redor estivessem fazendo, pedindo que você fizesse ou aprovando o comportamento?
Não temos como ter certeza sobre a resposta a esses questionamentos, já que o ser humano aprende com base nos seus erros, porém, com certeza gostaríamos de ser compreendidos caso a resposta fosse SIM a qualquer um deles. Então, porque essa tendência a não dar a mesma oportunidade para outras pessoas com a tal “cultura do cancelamento”?
A ideia do cancelamento é a anulação, exclusão de algo ou alguém de maneira permanente, ou seja, de modo que essa coisa ou pessoa deixe de existir. E se deixa de existir, como será possível aprender e evoluir?
Estamos visualizando situações de cancelamento constante no BBB21. Esse cancelamento nos incomoda quando percebemos que ele está sendo praticado com Lucas Koka ou Juliette nas primeiras semanas do programa. Mas, se voltarmos um pouquinho no tempo, vamos lembrar que eles foram os primeiros cancelados. Por nós e pelos colegas de confinamento.
Mas vê-los sendo cancelados no confinamento nos mostrou a brutalidade desse ato, que é extremamente desagradável para indivíduos com necessidade de aceitação grupal (todos nós, ainda que neguemos). E isso nos incomodou de maneira tão intensa, que estamos fazendo o mesmo movimento com outras pessoas da “casa mais vigiada do Brasil”, como Karol Conka, Lumena, Fiuk, Projota e Nego Di.
Vimos o que o cancelamento causou nas pessoas dentro da casa. Todo o sofrimento e dor que fez com que Lucas Koka chegasse a desistir de existir naquele ambiente, ou, como diria Lumena, fosse “convidado ao desejo de não estar mais no programa”. É importante a que tipo de ação esse pensamento poderia ter levado na “vida real”, ações que poderiam levar a consequências mais graves que a saída da casa.
E, ao final, me questiono: será que se estivéssemos em uma casa sendo observados nesse momento, não estaríamos sendo cancelados por eles por estarmos cancelando esses participantes?
*A autora é psicóloga clínica especialista em Avaliação Psicológica no Centro Integrado de Psicologia e Neuropsicologia (NeurOn) e professora da Fametro e Faculdade Santa Teresa [/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][mk_image src=”https://noticias.fametro.edu.br/wp-content/uploads/2021/02/15962990635f259737ece8f_1596299063_3x2_lg.jpg” align=”center”][/vc_column][/vc_row]
