O quadro “Sou Fametro” apresenta a professora, arquiteta e urbanista Michelle Oliveira, que conta sobre a sua trajetória no Centro Universitário Fametro, a escolha da profissão, além de dar dicas sobre a área.
Confira:
1 – Por que você escolheu arquitetura?
Minha primeira opção foi a Engenharia Civil. Formei em Técnica em Edificações, na Escola Técnica Federal do Amazonas, em 1998, e passei a trabalhar com desenho arquitetônico em 97, quando fui estagiária na secretaria que atualmente é o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb).
Em 2001 passei a fazer parte do quadro de funcionários da Secretaria de Saúde do Amazonas como desenhista projetista, trabalhando diretamente com arquitetos, auxiliando na confecção de projetos da área hospitalar.
Cursava Engenharia Civil nessa época, mas acabei me apaixonando mesmo pela Arquitetura, principalmente a Hospitalar.
Tranquei a faculdade de Civil e migrei para a Arquitetura, onde passei a estudar mais sobre esta profissão que despertou em mim mais do que a vontade de ser uma profissional da área, foi mergulhar o mais profundo possível de modo a descobrir como eu poderia ajudar as pessoas com meu trabalho.
Essa é a parte incrível para mim, por isso amo projetar. Arquitetura é mais do que linhas e formas, é mais que transformar lugares e paisagens, muda e influencia a vida das pessoas e isso pra mim é fantástico.
2 – Como foi sua primeira experiência na Fametro?
Minha primeira experiência foi como estudante, passei a fazer parte da primeira turma de Arquitetura e Urbanismo. Entrei em 2007 e formei em 2011. Logo depois, em 2013, passei a fazer parte do corpo docente e, em 2014, fui contratada como arquiteta da Fametro.
3 – Vários prédios da Fametro têm sua marca, você pode comentar sobre os seus projetos favoritos?
Por todos tenho um enorme carinho e orgulho em fazer parte do processo criativo, mas o prédio da Fametro da Zona Leste é especial, pois foi a primeira edificação do zero, onde tive a oportunidade de projetar desde o início, transformando um enorme galpão em salas de aula e ambientes administrativos.
Foi um processo onde tive bastante cuidado, pois adaptar formas diferentes requer muito estudo.
Outro projeto que gosto muito é o de Manacapuru, uma edificação com um porte grandioso. Tínhamos somente o terreno, então projetar dessa forma é ótimo porque há mais liberdade.
Por fim, o Hospital Universitário da Fametro na Santa Cas. Estou imensamente grata e feliz por ter a oportunidade de projetá-la. Uni duas áreas da Arquitetura que amo trabalhar, educacional e hospitalar. Ainda estamos no processo projetual, mas com certeza será um grande local para cuidar e salvar vidas.
4 – Quais os processos criativos você desenvolveu para o projeto do Hospital Universitário?
A arquitetura hospitalar, além de ser muito específica e detalhada, é também especial.
Um hospital tem um papel de cura, quando é bem planejado, projetado e executado traz esperança de vida para as pessoas, então sempre busco ver por esse lado, de quem vai utilizar, e da forma que meu projeto, através do espaço físico humanizado, possa trazer um mínimo de conforto para os pacientes e funcionários, seja por meio das formas, dos acabamentos, das cores, do toque, do cheiro.
Tenho utilizado muito os conceitos relacionados a Neuroarquitetura e da Sustentabilidade para trazer algo novo que ainda não temos na cidade na área hospitalar, e claro, não deixando de lado toda a história da Santa Casa.
5- Por fim, o que você diria para quem deseja cursar Arquitetura e Urbanismo e o que você ainda quer realizar profissionalmente?
Amo a Arquitetura, seja projetando ou lecionando. O curso de Arquitetura e Urbanismo capacita profissionais capazes de realizar sonhos das pessoas. Posso afirmar que dentro de minha profissão já me sinto realizada, fiz muita coisa na qual tenho uma satisfação imensa por ter idealizado, pois sei que estou contribuído com algo benéfico para a sociedade.
Um sonho seria quem sabe ganhar o Prémio Pritzker de Arquitetura, considerado um Oscar para os Arquitetos, um dia chego lá, ainda espero poder projetar muito e enquanto for possível!
Costumo me inspirar em um pensamento de um livro chamando “Arquitetura da Felicidade”, do filósofo Alain de Botton, que diz:
“Ao construir uma casa ou decorar um cômodo, as pessoas querem mostrar quem são, lembrar de si próprias e ter sempre em mente como poderiam idealmente ser. O lar, portanto, não é um refúgio apenas físico, mas também psicológico, o guardião da identidade de seus habitantes.”
Sempre penso nisso ao projetar.
