Na Fundação Hospitalar Alfredo da Mata (Fuham), um projeto está melhorando a vida de pacientes com diagnóstico de hanseníase ou em tratamento pós-alta que apresentam sequelas neuropáticas (nervos periféricos lesionados). O projeto acolhe os pacientes que recebem, gratuitamente, palmilhas produzidas manualmente pela equipe. O acessório alivia as pressões localizadas nos pés dos pacientes, por apresentarem alterações, principalmente na sensibilidade.
O estudo desse trabalho é o foco do projeto “Avaliação do Uso de Palmilhas em Pacientes com Diagnóstico de Hanseníase ou em acompanhamento pós-alta, atendidos na Fundação Hospitalar Alfredo da Matta”, do estudante do 6º período de fisioterapia Carlos Gabriel da Silva Melo, que também atua como estagiário de nível superior em fisioterapia na fundação.
Desenvolvimento do Projeto
Carlos Gabriel, de 24 anos, descreveu o impacto inicial do projeto: “Foi muito interessante, porque tivemos a oportunidade de demonstrar algo que até certo ponto estava parado, priorizando a melhora do paciente”. Ele enfatizou que o projeto não apenas melhora o aspecto físico e emocional do paciente, mas também potencializa outros tratamentos, como laserterapia e fisioterapia.
Aparelho de avaliação do projeto
O baropodômetro é a ferramenta que permite uma avaliação precisa da pressão que os pés exercem sobre o solo. Esse aparelho possui 4.096 sensores que possibilitam um acompanhamento detalhado da pressão localizada nos pés. É uma ferramenta essencial para a produção das palmilhas.
Processos de Confecção e Materiais
A confecção das palmilhas é um processo manual. Utilizando ferramentas simples como tesoura, lâmina, lixa e cola, a equipe confecciona as palmilhas de acordo com os cálculos do baropodômetro, gerados pelas medidas dos pés do paciente, levando em torno de 30 minutos para ficarem prontas.
Impacto nos Pacientes
O projeto inicialmente começou com 22 pacientes, mas ao longo de nove meses, 14 continuam sendo acompanhados. “Quem recebeu a doação, e usou a palmilha corretamente, permanece até hoje no projeto e com resultados ótimos com relação às úlceras. Algumas cicatrizaram, outras ainda estão em fase de cicatrização,” relatou a fisioterapeuta Alexandra Costa. As úlceras são lesões localizadas na planta (embaixo) do pé.
De acordo com estudos, o corpo tem uma forma individual de se adaptar ao novo acessório. “Então, na primeira semana, em até 3 ou 4 dias, os pés vão sentir desconforto, dor e rigidez. Após isso, começa a fase de sensação de conforto, analgesia e melhor progressão de carga, porque a face plantar se acomoda”, detalha Gabriel.
O tempo para adaptação das palmilhas varia, e pode levar até 3 meses para apresentar fisicamente acomodação, o retorno para comparação de exames ocorre de 3 em 3 meses.
O projeto da produção de palmilhas é realizado pelo setor de calçados da Gerência de Prevenção de Incapacidades da Fuham.

