Dia desses estava pensando no quanto sentimos necessidade de ser otimistas e acreditar que há um alívio para tudo o que não dá certo. Lembrei de alguns episódios mais difíceis que exigiram uma resiliência superior à minha capacidade e experiência na época. Quando deram certo, tornaram-se dificuldades vencidas; quando deram errado, transformaram-se em lições aprendidas da maneira mais difícil. Percebi que, ao final de cada lembrança, concluía o pensamento com um simples “ainda bem”. Uma expressão significativa para quem escolhe enxergar o lado bom até mesmo do que parece ruim. Se todo desafio é uma oportunidade para aprender, de um jeito ou de outro, ainda bem que a vida nos apresenta tantos deles, como os que deixo abaixo para exemplificar.
Cada vez mais raro nos dias de hoje é encontrar pessoas convictas de seus valores e da importância de agir com honestidade na vida e na profissão. A cada escândalo que ganha espaço na televisão e nas redes sociais, envolvendo aquele político acima de qualquer suspeita ou aquela influencer que se apresenta como referência de moral e bons costumes, fica mais evidente que o que esse tipo de gente não faz por dinheiro, faz por oportunismo e falta de caráter.
Ainda bem que essa é a vida deles, e não a nossa. Melhor ainda saber que continuamos acreditando nas pessoas, porque a gratidão, a honestidade e a generosidade ainda existem. Também é um alívio perceber que sobrevivemos às decepções, aos pequenos sacrifícios diários e aos grandes sofrimentos que, com o tempo, deixaram ensinamentos em vez de mágoas. Se tudo tivesse sido fácil, talvez jamais tivéssemos aprendido o que hoje sabemos.
Apesar de tudo e de todos, continuamos de pé. Afinal, nada é definitivo ou absoluto, e as possibilidades surgem quando temos coragem de observar, conquistar e seguir em frente. Ainda bem que nem tudo acontece exatamente como imaginamos, porque, muitas vezes, é justamente isso que impede que a vida tome um rumo pior.
De fato, ainda bem que a vida muda. E como é bom poder lembrar, hoje, com alegria e até uma certa dose de vaidade dos desafios que, naquele momento, pareciam intermináveis e sem qualquer garantia de sucesso. Ainda bem que o tempo passa e que, “apesar do choro de uma noite, a alegria veio pela manhã” tantas vezes.
Pode não ser no tempo que desejamos, mas acontece no tempo em que estamos preparados para reconhecer seu valor. Talvez seja justamente por isso que aprendemos a valorizar o próprio esforço e também o de quem, em algum momento, escolheu compartilhar oportunidades em vez de guardá-las apenas para si. Ainda bem que existe simpatia e generosidade onde menos esperamos. Ainda bem que chega um momento em que deixamos de sentir a necessidade de provar qualquer coisa para alguém. E, quando disserem: “Você não é mais a mesma pessoa”, olhe de volta e responda com tranquilidade: ainda bem!
Essa expressão é reveladora porque mostra, sem margem para dúvidas, que tudo poderia ter sido pior. Algo poderia não ter dado certo, não ter sido alcançado ou sequer superado. Mas não foi assim. Ainda bem.
Naquele instante em que pensamos melhor antes de agir, um sonho foi realizado, uma meta foi alcançada, um projeto deu resultado e um novo rumo começou a ser traçado. Ainda bem que nunca desistimos, principalmente, de nós mesmos. E ainda bem que, um dia, tudo isso será apenas parte da nossa história.
Igor Menezes Cordovil é Gestor de Marketing & Inteligência de Mercado do Grupo FAMETRO, especialista em Política e Estratégia pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG) e MBA em Marketing, Consumo e Neurociência pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).
