O Centro Universitário Fametro (Ceuni Fametro), por meio do curso de Jornalismo da instituição, realizou na sexta-feira, dia 31/06, o 2º Simpósio sobre Ética, Cidadania e Imprensa. O objetivo do evento foi ampliar os debates sobre ética profissional, levando em consideração a questão da imagem e da fotografia. A fotojornalista Ione Moreno, os fotojornalistas Raphael Alves, Alailson Santos, Antônio Lima, Alberto César Araújo, assim como o jornalista Emanoel Cardoso e o advogado Maurício Castro Filho explanaram sobre Ética, Imagem e Jornalismo. As atividades do evento ocorreram pelo período da manhã e noite, no miniauditório do centro universitário.
Sob a coordenação do professor Helder Mourão, o evento foi organizado pelas turmas do 3º e 5º período matutino e noturno. Segundo o professor, este é um tema cada vez mais recorrente, mas que ultrapassou os limites da profissão e envolve a sociedade como um todo. “O que nós queremos é não apenas formar um profissional mais crítico e ciente das questões sociais. Queremos também um jornalista mais ativo, até militante acerca desses problemas, que são problemas de sociedade. As redes sociais tem sido uma violação aos direitos humanos, ao indivíduo e uma série de dispositivos legais e até éticos”, afirmou.
Uma das convidadas, a fotojornalista Ione Moreno ressaltou sobre o cuidado no momento do registro. “Em 2017, quando teve a rebelião do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) uma repórter e eu fomos cobrir o local. No lugar, me deparei com diversas esposas e mães de detentos. Em certo momento uma disse que não era para eu fazer fotos. Começou uma retaliação. Eu expliquei para elas que estava fazendo o meu trabalho. Elas entenderam, mas, fiquei atenta à movimentação”, declarou Moreno.
O registro da transferência de líderes de uma facção criminosa, apontados como mandantes da rebelião no Compaj, garantiu à fotojornalista uma página na edição 2018 do livro ‘O melhor do Fotojornalismo Brasileiro’.
Para o fotojornalista, Raphael Alves, a foto é o registro do olhar do fotógrafo dentro de uma leitura de mundo. “Ética não se dá. Se tem”, pontuou Alves.
Já na visão do fotógrafo Alailson Santos, atuante na Assessoria de Imprensa da Polícia Civil do Amazonas argumentou aos presentes que tudo é uma questão de “acreditar em si e no que se faz”.
Programação noturna
Pela noite, na mesa mediada pela acadêmica do 5º período noturno, Maria Eduarda Santos, os convidados debateram sobre o que é a ética no jornalismo, bem como os conflitos acerca das questões.
O jornalista e apresentador da edição local do Cidade Alerta, Emanoel Cardoso, criticou o uso indevido de imagens. “As pessoas vão continuar consumindo essas porcarias. Mas, quando elas quiserem uma informação séria, saberão onde procurar”, frisou Emanoel.
Por sua vez, o fotojornalista Alberto César Araújo mostrou os trabalhos desenvolvidos por ele frente ao portal de notícias independente Amazônia Real. Com destaque para os registros feito por ele sobre a migração dos índios venezuelanos da etnia Warau para a cidade de Manaus. O advogado Maurício Castro Filho, da associação dos magistrados do Amazonas, trouxe para discussão a midiatização do processo penal e a violação da imagem de pessoa presa.

Agência Experimental de Notícias
Robson Adriano – Acadêmico do 8º período do curso de Jornalismo.
Cristiane Barbosa – edição
