O Curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Fametro, realizou na terça-feira (12/9), um evento para discutir o futuro da população indígena no Amazonas. A ação ocorreu no miniauditório da Unidade 5 e contou com a presença de lideranças indígenas, representantes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
De acordo com a coordenadora do curso, professora Marina Brolio, neste semestre a Atividade Transversal do curso envolve a temática étnico-racial, onde diversos temas são debatidos. As turmas de 1º e 2º períodos, sob supervisão do professor Marcimar Sousa, discutiram a temática dos povos indígenas do Amazonas.
“Como foram divulgados novos dados do IBGE sobre a população indígena do estado e também em função da desinformação da sociedade sobre o papel de órgãos como a Funai neste cenário, nós então convidamos esses representantes para que eles pudessem conversar com nossos alunos” , informou o professor.
Ainda de acordo com o professor, este tipo de atividade contribui para formação humanística dos alunos, que não fica restrita apenas à ciência da medicina veterinária. “O Ensino deve ser generalista e contribuir na formação de cidadãos e profissionais conscientes de seu papel na sociedade, e orientar sobre a importância de se buscar conhecimento e informação de fontes confiáveis”, disse Marcimar Souza.

Órgãos e Lideranças Indígenas
O evento contou com palestras de representantes do IBGE e Funai, que falaram sobre o aumento da população indígena em Manaus, entre outras características, e também foi realizada uma roda de conversa com presença de lideranças indígenas das etnias Mura, Sateré-Mawé, Kokama, Munduruku, Tikuna e Munduruku.
Danniel Aparício Kokama, coordenador de Educação e Cultura do Conselho Indígena Kokama da Amazônia, destacou que conversar com os alunos sobre a vivência dos povos indígenas contribui para que os profissionais tenham consciência sobre a realidade regional.
“Manaus é uma cidade indígena há muito tempo, não é de agora, é a cidade com a maior população indígena do Brasil. Então, conversar com eles é falar sobre isso e também da noção do Amazonas. Eu sou de Santo Antônio de Içá, e nunca vi um médico veterinário por lá, então é importante que eles saibam que precisamos desses serviços no interior”, declarou.
Marcivana Sateré Mawé, coordenadora da Coordenação das Organizações dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (COPIME), ressaltou que uma das maiores dificuldades dos povos indígenas é a invisibilidade.
“Manaus tem a maior população indígena, mas muitos não conseguem ver essa presença, tanto para sociedade como para políticas públicas”, afirmou. “Eventos como esse nos dão a oportunidade de sermos vistos e falar sobre isso. Esses alunos vão sair da academia e em algum momento vão ter contato com um indígena, então, eles precisam ter conhecimento de nossas práticas, de nossas tradições, e até das nossas línguas. Esse momento é importante e enriquece”, complementou.
