(Foto:Portal Único)
A fumaça provocada pelas queimadas no Amazonas representa um risco à saúde que vai além dos problemas respiratórios e pode interferir na rotina dos universitários. O professor Thiago Gomes de Oliveira, coordenador do curso de Enfermagem do Centro Universitário FAMETRO e mestre em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), explica que irritação nos olhos, dor de cabeça, cansaço e alterações no sono estão entre os sintomas capazes de comprometer a concentração e o desempenho nos estudos.
Fumaça pode comprometer a concentração e a qualidade do sono
Além dos sintomas físicos, a poluição do ar pode prejudicar a atenção, a assimilação dos conteúdos e o descanso dos estudantes. O desconforto respiratório e a irritação das vias aéreas podem dificultar o sono, causando sonolência e fadiga durante o dia.
O coordenador destaca que essas alterações podem interferir na aprendizagem, mesmo entre estudantes que mantêm uma rotina regular de estudos. A saúde e as condições ambientais estão diretamente relacionadas ao processo de aprendizagem, sobretudo nos períodos de maior poluição.
“Um estudante que dorme mal tende a apresentar mais sonolência, menor capacidade de memorização e dificuldade para tomar decisões”, afirmou.
Riscos também atingem pessoas sem doenças respiratórias
Mesmo quem não possui diagnóstico de doenças respiratórias está sujeito aos efeitos da fumaça. Um dos principais poluentes é o material particulado fino, conhecido como MP2,5, cujas partículas podem alcançar áreas profundas dos pulmões.
Entre os sintomas mais comuns estão irritação no nariz e na garganta, tosse, falta de ar, ardência, vermelhidão e lacrimejamento dos olhos. A intensidade dos efeitos varia conforme a concentração de poluentes, o tempo de exposição e as condições de saúde de cada pessoa.
“Um erro comum é acreditar que, por não ter asma, bronquite ou outra doença respiratória, a pessoa está protegida, mas não está”, alertou.
O professor também chama a atenção para os possíveis impactos cardiovasculares da poluição.
“A intensidade dos efeitos depende da concentração dos poluentes, do tempo de exposição e das condições de saúde. Os riscos não são iguais para todos, mas nenhuma pessoa deve considerar a fumaça inofensiva apenas porque não apresenta sintomas imediatos”, enfatizou.
Quando procurar atendimento médico?
Durante os períodos de fumaça intensa, é fundamental observar o aparecimento ou o agravamento de sintomas. Falta de ar, dor no peito, confusão mental ou piora acentuada do estado geral são sinais de alerta que exigem atendimento médico imediato.
O professor orienta a reduzir a exposição à fumaça e reforça: “Não espere sentir falta de ar para começar a se proteger”.
Para o coordenador de Enfermagem da FAMETRO, a prevenção deve começar antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas. A adoção de medidas protetivas ajuda a reduzir a exposição aos poluentes e a preservar a saúde de estudantes, professores e demais profissionais.
